sexta-feira, 12 de abril de 2013

Sexualidade condicional

Ser mulher é ter a sexualidade condicionada. Esta foi a frase que ficou martelando hoje na cabeça, enquanto eu tentava articular um texto que ilustrasse o porquê de tanta indignação contra o assédio sofrido por Nicole Bahls durante gravações do programa Pânico no lançamento do livro de Gerald Thomas.

Não vou perder linhas para adjetivar o sujeito. Antes deste episódio, eu nem sabia quem era. Hoje sei que é do ramo do teatro e já constrangeu outras mulheres antes. (Uma ilustração aqui) Sei também que é persona non grata entre pessoas que admiro, como Angeli e Laerte, cartunistas. A mim, somado a isso o assédio que praticou contra Nicole, é o que basta. Vou me ater apenas à defesa que Thomas fez de sua atitude grotesca:

"Vem uma menina, de (praticamente) bunda de fora, salto alto de “fuck me”, seios a mostra, dentro de um contexto chamado PANICO e eu (que não deixo me intimidar e gosto desse pessoal) entro no jogo e viro as cartas – e os intimido ! (que nada! Brincadeira também!)"

O vestido que começou

domingo, 4 de novembro de 2012

Brizola em 1980: "Governam como quem conspira"

Há muito o Náuseas perdeu seu rumo. Não, minto, o Náuseas nunca teve um rumo. Aqui coloco coisas que estou afim no momento em que estou a fim. O Náuseas é um descompromissado monte de desencontros entre minhas ideias e a realidade que me ataca o estômago.

Mas, como que para aliviar uma ressaca, iniciei os trabalhos de catalogação da coleção do jornal O Pasquim que minha santa mãezinha carrega desde a década de 80 em todas as nossas mudanças. (E não foram poucas mudanças, frise-se). Depois de desistir de ser atriz, professora e doutora acabei me enfiando nisso de cuidar de arquivos, e agora apronto um TCC esperto com esse acervo particularmente rico.

Pouco importa, colega, importa é que vou publicar umas coisas interessantes que eu achar por aqui, tipo esse texto do saudoso Leonel Brizola, que segue abaixo. Se me perseguirem por violar direitos autorais ofereço minhas havaianas e umas poesias bobas que ando escrevendo pra pagar a dívida.
Tem muita história legal por aqui pra eu ficar de pudorzinho autoral, ces não acham? Eu acho.

Segue o sempre certeiro Leonel:

O Pasquim (para maiores de 16 anos)

Ano XI - nº 568 Rio, de 16 a 22/5/80 - Cr$ 40,00 "Delfim combatendo a inflação? Quá, Quá, Quá!" (sic)

Governam como quem conspira

Fazer política é um pouco como navegar contra a correnteza: se o barco não vai para a frente, vai para trás. Talvez por isso um velho, experiente e obstinado político inglês, Cromwell, gostasse de analisar os acontecimentos dos quais era ativo participante com uma frase muito simples mas verdadeira: "Se a situação não está melhorando, está piorando". A verdade desta frase se aplica, especialmente, aos momentos de passagem de regimes fechados e autoritários para a democracia que prevê e exige, para ser real, uma ampla e crescente participação da sociedade nas decisões.

Sem dúvida a passagem de um regime autoritário para uma democracia dificilmente se realiza sem traumas e até violências. Mas na história brasileira é possível recolher exemplos de passagens semelhantes realizadas quase sem traumas nem violências. Neste momento, a barca de abertura política navega a meia máquina e vai quase parando. Se parar, retrocede. O que importa a todos descobrir - e neste "todos" estão Governo, oposição e o conjunto da sociedade - é como dar toda máquina rumo à democracia.

Um momento de abertura exige do Governo, sobretudo, confiabilidade. Na verdade, confiabilidade é que menos o Governo inspira. O hábito do arbítrio faz com que os círculos governamentais mais responsáveis governem como quem conspira. Decidem em salas impermeáveis, conciliábulos de poucos, às escuras, sem que a sociedade participe e fazem publicar no Diário Oficial do dia seguinte as suas decisões. A sociedade na maioria das vezes é pega de surpresa. Em algumas reage e com sucesso, como foi o caso do imposto sobre exportação da soja. Mas mesmo retrocedendo diante do clamor social, o Governo não inspira confiança, pois a decisão era necessária ou não era. Se era necessária por que voltar atrás? Para casuisticamente não perder votos?

De parte do Governo o que mais está faltando para viabilizar um real avanço democrático é um ato que comprove suas boas intenções, não só que inspire confiança, mas que seja ele mesmo um ato de segurança, como, por exemplo, realizar as eleições municipais previstas para 15 de novembro. Ou dar prioridade e urgência para aprovação da Emenda que restaura as eleições democráticas para Governadores. Estes seriam atos de quem está seguro do rumo que quer dar à embarcação. E nada melhor do que pessoas seguras de si para inspirarem confiança.

Em contrapartida, as várias correntes da oposição devem apostar numa evolução democrática. Os trabalhistas apostam e fazem desta aposta, no atual momento, um parâmetro de sua identidade política. Para os trabalhistas todas as soluções passam por uma democracia real, que se formalize em eleições verdadeiramente livres com a participação de todas - escrevi "todas" - as correntes de opinião e que amplie os círculos de decisões até as camadas populares. Que se realize, verdadeiramente, uma redistribuição do Poder.

Se a sociedade desconfia - e com toda a razão - do Governo pelos seus integrantes insistirem em governar como quem conspira, é verdade também que as camadas populares preferem uma oposição estabilizadora a uma oposição meramente confrontadora. Não basta querer derrubar o que aí está, muito mais importante é oferecer uma alternativa concreta de Poder, mesmo por que a experiência do "confronto pelo confronto" tem levado a inevitáveis derrotas. E o povo anseia por vitórias e por saídas otimistas e não apocalípticas. A vitória do povo passa antes por sua organização.

A greve do ABC é como uma síntese desta situação. Do lado do Governo novamente a incompetência que começou com um ministro do Trabalho que prefere defender o capital a conversar com os trabalhadores e novamente as decisões fechadas que culminaram com a prisão, ou melhor sequestro, de líderes sindicais. A greve serviu para aumentar a crise de confiança entre Governo e sociedade.

Leonel Brizola.

Esta imagem está no pé do texto acima. haha


quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Gean processa Cesar por esconder o Vice.

Saiu na coluna do Upiargh!

Pra quem não sabe, Upiargh é o apelido carinhoso deste modesto blog ao colunista Upiara Boschi, do Diário Catarinense (mais um oferecimento oligopólios RBS!), em homenagem ao seu jornalismo #vergonhaalheia que tanto honra o caráter de seus patrões.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

Eu nasci em casa, meu filho não vai poder.

10 de outubro de 1985. Bairro Abraão, cidade de Florianópolis. Nascia esta Bruaca que vos fala, no apartamento de sua avó, localizado no condomínio "Poeta Zininho" (pra quem não sabe o autor do Rancho de amor à Ilha, atual hino da cidade de Florianópolis, antiga Desterro).

Minha mãe relata que estava tranquila, andando pra lá e pra cá enquanto as contrações iam se aproximando, acontecendo em intervalos mais curtos, respirando, respirando. No som de casa ouvia-se "Dona", de Sá e Guarabira (época da novela Roque Santeiro), meu pai saiu pra buscar o médico, Dr. Fred, que na época fazia os "ousados" partos em casa e já era perseguido pelos conselhos de medicina. Segundo a mãe o sol se punha lá fora, a luz invadia o quarto, enquanto eu invadia o mundo pela primeira vez. Um fim de tarde para se recordar.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Afinal, o que quer a classe média?

A classe média brasileira sofre muito leitores e leitoras, vocês sabem. Sofre com os impostos, sofre com a violência, sofre com a corrupção, sofre com toda esta baderna que é o nosso grande e amado bananão.
Há, por todas as plataformas de mídias sociais e redes sociais, intensos reclames da explorada e sofredora classe média, que faz seu protesto assim:

caso crônico de #classemédiasofre - clique para ampliar